terça-feira, 22 de novembro de 2011

A música faz a pessoa


Célula dos Artistas                                      Encontro de 08/Outubro de 2000 e ONZE
O que podemos dizer sobre a música como parte do nosso estilo de vida cristão? A música é o ambiente que criamos para nós mesmos. A música não é simplesmente algo que temos em comum com todo mundo. A primeira coisa que faço quando visito a casa de alguém é olhar seus discos, pois eles me dizem quem a pessoa é. Em holandês temos a expressão “as roupas fazem o homem.” Ela significa que conhecemos uma pessoa pelo modo que ela se veste. Similarmente, a música é uma expressão de nós mesmos. As pessoas não ouvem qualquer coisa. Elas escolhem as músicas que criam e ouvem. Isso porque há uma intrínseca conexão entre a música que nos rodeia e quem somos.
Quando manuseio os discos de alguém, não suponho que eles contenham apenas hinos e canções evangélicas – nem só de hinos viverá o homem! Em meio aos seus discos, espero que haja diversos tipos de música. Se vejo que em sua coleção há música medieval, romântica e moderna, logo entendo que você é alguém com um amplo interesse neste mundo e que quer saber mais sobre outros pontos de vista em relação à vida. Nesse sentido, a música é como café, chá ou refrigerante. Ouvimos os nossos contemporâneos em sua expressão musical e conseguimos conhecê-los através de sua música. Toda a sabedoria e tolice das pessoas do passado e do presente chegam até nós através da música.
Não é porque ouvimos Beethoven que tenhamos que necessariamente concordar com ele. Significa apenas que achamos que vale a pena ouvir o que ele tem a dizer. Se ouvirmos uma passagem triste na música de Beethoven, escutaremos não apenas sua expressão de tristeza, mas também seremos confrontados com a sua visão de tristeza em relação ao seu ponto de partida como humanista. Isso significa que se ouço sua música, acabo entrando em um tipo de discussão. Ouvir música é dialogar.
As pessoas me perguntam sobre que tipo de música deveriam tocar em um bar com propósitos evangelísticos. Sempre respondo: “Isso é muitíssimo importante: pela música que você toca, qualquer um que entrar nesse bar saberá quem você é.” Isto não implica em que você deva tocar hinos o tempo inteiro. Mas significa que você tem que fazer escolhas. Alguns tipos de música não podem ser tocados nesse ambiente, porque são inadequados. Outras músicas podem parecer impróprias à primeira vista, mas podem causar uma impressão diferente se você se permitir escutá-las novamente. Aprender a fazer boas escolhas leva tempo. É preciso experimentar vários tipos de música e viver com elas por um período. Reflita sobre música. Dialogue com ela.
 Hans Rookmaaker

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